
Venturi, Izenour e Scott Brown afirmam que “[...] a arquitetura depende, para sua percepção e criação, da experiência passada e da associação emotiva, e que estes elementos simbólicos e representativos geralmente entram em contradição com a forma, a estrutura e o programa que estão associados no mesmo edifício”. Para apresentar as principais contradições dessa arquitetura eles apresentam os exemplos do pato e do galpão decorado , onde temos como “pato” a tipologia que ocorre quando a arquitetura , estrutura e programa estão distorcidos por uma forma simbólica e como galpão decorado quando os sistemas de espaço e estrutura estão a serviço do programa e o ornamento aparece independente deles.
O “pato” é uma alusão ao edifício em Long Island (The Long Island Duckling), um drive-in em forma de pato. Esse tipo de edifício é o próprio símbolo enquanto o galpão decorado é o local em que se aplicam símbolos. Outra diferenciação entre essas duas tipologias á analisada pelos autores que consideram o primeiro como o feio e comum, enquanto o segundo é dito heróico e original.
O tipo heróico e original obtém sua expressão dramática dos significados conotativos de seus elementos originais, ele emite significados abstratos, identificáveis pelos elementos arquitetônicos enquanto o tipo comum apresenta significados denotativos, derivados de elementos familiares. Esse tipo comum ocorre de duas maneiras: pelo modo da construção e pelo modo de vê-la. Para os autores construir convencionalmente é utilizar materiais e técnicas comuns e aceitar os materiais da indústria de construção atual com a finalidade de conseguir uma edificação rápida, boa e econômica.
Continuando suas análises com base no feio e comum e no heróico e original, os autores discutem sobre a superioridade de um ou de outro4. Acreditam que cada teoria tem sua época e as formulações teórico-ambientais de seu tempo e que os meios mais puramente simbólicos, por serem menos estáticos e mais adaptáveis, são mais adequados ao nosso tempo. O galpão decorado seria assim mais eficaz para a nossa época, enquanto o “pato” por sua forma mais estática não o seria. Eles ainda afirmam que uma iconografia de meios mistos como da que ocorre nos edifícios comerciais das grandes avenidas serão o caminho para esse impasse4, o que nos faz remeter à iconografia da Main Street.
As características das duas tipologias- feio e comum e heróico e original (“pato” e galpão decorado, respectivamente) são descritasa seguir:
“pato”: Arquitetura de significado; Simbolismo explícito – denotativo; Ornamento simbólico; Ornamento aplicado; Decoração por elementos superficiais; Simbolismo; Arte representativa; Arquitetura invocadora; Mensagens sociais; Propaganda; Evolucionista com emprego de precedentes históricos; Convencional; Palavras antigas com novos significados; Comum; Pragmática; Bonita na fachada; Incoerente; Entediante; Tendência à ramificação urbana; Parte do sistema de valores do cliente; Parece barata; Tecnologia tradicional
Galpão decorado: Arquitetura de expressão; Ornamento expressivo; Simbolismo implícito – conotativo; Expressionismo integral; Arquitetura pura; Decoração recusada em favor da articulação dos elementos integrantes; Expressionismo abstrato; Articulação arquitetônica; Revolucionária, progressiva, anti-tradicional; Bonita (ao menos unificada) em todas as suas faces; extraordinária; Heróica; Coerente; Tecnologia avançada
Finalizando o seu texto Venturi, Izenour e Scott Brown afirmam que “[...] o conteúdo do simbolismo inadvertido da atual arquitetura moderna é estúpido. Temos estado desenhando patos mortos. [...]
Quando os arquitetos modernos abandonaram honradamente o ornamento sobre os edifícios, inconscientemente desenharam edifícios que eram um ornamento. Ao favorecer o espaço e a articulação sobre o simbolismo e o ornamento, distorceram todo o edifício até convertê-lo em um pato. [...] Já está no momento de reavaliar a outrora horripilante declaração de John Ruskin segundo a qual a arquitetura é a decoração da construção, mas sem esquecer a advertência de Pugin: está muito bom decorar a construção, mas nunca construamos a decoração” .


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